O C-47 é uma versão para transporte militar da icônica aeronave DC-3 de uso comercial produzida pela McDonnell Douglas e introduzida em 1933. O DC-3/C-47 é uma das mais importantes aeronaves da história, tendo voado por forças aéreas de quase cem países e em inúmeras operações comerciais em todo o mundo.

Em 1941, a Força Aérea do Exército Norte Americano escolheu uma versão – o C-47 Skytrain – para seu avião de transporte padrão. O piso reforçado da fuselagem e o acréscimo de uma grande porta de carga foram as únicas alterações principais. As outras incluíam a instalação de ganchos de carga na seção central da asa e a remoção do cone da cauda para transportar planadores. Cada divisão das forças armadas dos EUA e todos os principais aliados o utilizaram. A versão da Marinha americana era o “R4D”. Os ingleses e australianos o chamaram de “Dakota” (um bem-bolado acrônimo para Douglas Aircraft Company Transport Aircraft). Independentemente da versão, a aeronave operou em todos os continentes do mundo e participou em todas as grandes batalhas. Ao final da 2ª Guerra Mundial, mais de 10.000 unidades haviam sido construídas. Os C-47 permaneceriam em serviço militar por muito tempo após o fim da 2ª Guerra. Eles desempenharam um papel fundamental também no transporte de passageiros de Berlim em 1948 e novamente participariam  em combate nas guerras da Coréia e Vietnã.

Por ser uma aeronave multiuso, podia levar suprimentos, com autonomia de até 2.700 kg de carga, sendo esta um jeep totalmente equipado ou um canhão de 37 mm. Transportando tropas, acomodava 28 soldados totalmente equipados para combate! Na versão médica, ele podia acomodar 14 pacientes deitados e 3 enfermeiras. Sete versões básicas foram construídas, e a aeronave recebeu pelo menos 22 designações ao longo de sua história.

EMPREGO NA FAB – FORÇA AÉREA BRASILEIRA

Os primeiros C-47A chegaram ao Brasil em 1945, tendo recebido as matrículas FAB 01 a FAB 10. Um total de 81 C-47A e
C-47B foram operados até 1983, destes, dois eram ex-civis, e operaram matriculados como FAB EDL e PT-BQX. Alguns foram modificados para o padrão EC-47, com a adoção de instrumentos de verificação de aerovias, empregados inicialmente pela Diretoria de Rotas e, posteriormente, pelo Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV).

Os C-47 foram muito utilizados  no transporte logístico e no apoio às populações no Norte do Brasil, inclusive alunos e professores do Projeto RONDON. Estas práticas aeronaves também atendiam as missões do Correio Aéreo Nacional, e alguns tiveram instalados duas turbinas Turbo meca Palas embaixo das asas, para melhorar seu desempenho na travessia dos Andes.

Com o recebimento de aeronaves maiores e mais potentes para desempenhar as missões de transporte aéreo de maior alcance, como os Douglas C-54G e Douglas C-118, os C-47 passaram a equipar, em 1969, os Esquadrões de Transporte Aéreo, distribuídos ao longo do Brasil, nos quais permaneceram em uso até a sua substituição pelos Embraer C-95 Bandeirante. O último esquadrão a utiliza-lo foi 1º Esquadrão de Transporte Aéreo, até 1983, quando a aeronave foi finalmente retirada do serviço, após 38 anos de exímio serviço.

TRAZENDO DE VOLTA O PRIMEIRO DE TODOS

Com o objetivo de preservar a história, cultivando as tradições e em cumprimento a uma de suas competências, o MUSAL realizou um excelente trabalho de recuperação do FAB 2009, envolvendo todo o efetivo do Setor responsável pela Recuperação de Aeronaves da Divisão de Patrimônio Cultural.
Os serviços realizados foram os mais minuciosos possíveis, a fim de reparar desgastes da aeronave e problemas naturais por sua idade e por sua exposição. Existiam muitas avarias nas superfícies do leme, profundor, na hélice e no motor. A fim de repará-las, foi necessária a retirada dessas superfícies e um caprichoso trabalho para recuperação dessas peças.

Por conta da proximidade com o litoral e pela idade avançada da aeronave, apesar do MUSAL seguir um planejamento de prevenção de corrosão, o FAB 2009 apresentava uma corrosão generalizada e avarias em algumas partes. Assim, foram confeccionados itens que não estavam mais disponíveis para a aeronave, em função da inexistência de peças para a sua reposição.

Além de reforços na longarina das asas devido a uma corrosão por desfolhamento. Na parte interna, foi feita a reestruturação dos bancos e pisos da aeronave. Por fim, foram reparadas também todas as superfícies de comando. Os pisos e forros  precisavam de um cuidado especial, sendo uma parte deles substituídos, principalmente na área que costumava ser destinada à carga, nos fundos. Além disso, foi refeito o apoio para os assentos.

A Força Aérea Brasileira utilizou esses aviões de 1944 a 1983 em missões do CAN – Correio Aéreo Nacional, onde cumpriram importante papel na integração da Amazônia brasileira.
O exemplar atualmente em exposição no MUSAL voou com a matrícula FAB 2009 até 1978, fazendo parte da história do 6º Esquadrão de Transporte Aéreo – Esquadrão Guará, que comemora 51 anos de criação neste ano de 2020.

EMPREGABILIDADE NA AVIAÇÃO COMERCIAL NO BRASIL

Com o pós-guerra, a massiva produção dos C-47 culminou em inúmeras unidades que inicialmente perderam sua finalidade “uso militar”, exigindo que a indústria aeronáutica se reinventasse convertendo esses veteranos de guerra em revolucionárias máquinas da aviação comercial.

O mundo todo operou essas aeronaves convertidas para a aviação comercial, mas hoje vamos focar no seu uso no Brasil. Vários operadores usaram os DC-3 aqui no Brasil tais como, Cruzeiro, Panair do Brasil, Real-Aerovias, Vasp, Varig e outras.

  • A Cruzeiro foi a primeira cia aérea a receber o DC-3 no Brasil, em setembro de 1943.
    Chegou a ter um total de 35 aeronaves em sua frota e as operou até 1973.
  • A Panair recebeu seu primeiro DC-3 em junho de 1940 e operou um total de 14 aeronaves. Tendo seus últimos exemplares voando até 1961.
  • A Real-Aerovias recebeu seu primeiro DC-3 em 1946 e os operou até 1961 tendo em sua frota, 99 aeronaves.
  • A VASP recebeu seu primeiro DC-3 em 1944 voando até 1973 e operou um total de 27 aeronaves.
  • A Varig operou o DC-3 de 27 de agosto de 1946 à 14 de agosto de 1971 tendo seu ultimo voo realizado pela aeronave PP-VDM com um voo derradeiro num evento com uma despedida emocionada dos passageiros e tripulantes na rota Rio Grande do Sul – Santa Catarina. Tendo operado 23 aeronaves próprias além de 26 unidades arrematados na compra da Real-Aerovias-Nacional em 1961, operando um total de 49 unidades até 1970 quando começaram a ser substituídos pelos AVRO HS748 e os Electra II.

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